Posse: a forma Bela, a Viril e a Vil
Existe um aprendizado em cada lado que viramos nossos pescoços. Na Faculdade de Direito, aprendi, o que inicialmente apenas me parecia cultura inútil, as diferentes teorias sobre a etimologia da palavra posse. Meu professor, por ser pornógrafo e escrachado, fazia questão de introduzir a temática do direito das coisas com essa explicação. Para uma teoria, posse seria uma evolução da palavra potere, origem da palavra poder, que significa, entre outras coisas, "pertencer a família", "estar ao lado dê" e "exercer influência sobre". Para outra teoria, possidere é corruptela da expressão pedes ponere, literalmente "pôr os pés sobre". Por fim, e esse era o interesse do professor, há a possibilidade de ter como origem sedes ponere, por a "bunda sobre" ou, eufemicamente, "sentar-se sobre".
Mais do que contrastarem diferentes possibilidade sobre a origem da palavra, cada teoria cria um aspecto, uma dimensão, própria para a semântica da palavra posse. Potere representaria o significado mais belo, a vontade de influenciar e ser influenciado. Seria o resultado mais óbvio de gostar e se importar, o objetivo de cada busca e cada jornada, o que Eros e Orfeu morreram para obter, estar perto. Poder, sem dúvida: poder estar perto.
Pedes ponere não representa o objetivo direto da busca, mas a consequência secundária da busca vitoriosa. É o orgulho, o prazer da conquista, o manar dos césares e dos aquilles. Quando Davi derrubou Golias, provavelmente, como homem arrogante que era, pôs os pés sobre o morto. É a marca da conquista. O tal "pequeno passo para o homem" que transformou a Lua, antes um sonho, em uma possessação humana. Simboliza a virilidade.
Por fim, Sedes ponere. A infâme conotação sexual do termo pode ludibriar alguma afetividade. Mas, de fato, estamos diante da mais vil faceta da posse. Sentar-se sobre é a forma mais animalesca de imobilizar algo. Sedes ponere é o desejo de evitar o crescimento, a jornada, a evolução. Ao sentarmo-nos sobre algo, nem nos dispomos a ver a coisa, ela não é digna de nossos olhos. Esperamos que o peso dos nossos corpos destruam a coisa por esmagamento, ou que a mera indignidade de ser usado como assento torne impossível a sua mudança de função. É o mero exercício de poder, no seu significado mais nefasto: poder destruir.
Mais do que contrastarem diferentes possibilidade sobre a origem da palavra, cada teoria cria um aspecto, uma dimensão, própria para a semântica da palavra posse. Potere representaria o significado mais belo, a vontade de influenciar e ser influenciado. Seria o resultado mais óbvio de gostar e se importar, o objetivo de cada busca e cada jornada, o que Eros e Orfeu morreram para obter, estar perto. Poder, sem dúvida: poder estar perto.
Pedes ponere não representa o objetivo direto da busca, mas a consequência secundária da busca vitoriosa. É o orgulho, o prazer da conquista, o manar dos césares e dos aquilles. Quando Davi derrubou Golias, provavelmente, como homem arrogante que era, pôs os pés sobre o morto. É a marca da conquista. O tal "pequeno passo para o homem" que transformou a Lua, antes um sonho, em uma possessação humana. Simboliza a virilidade.
Por fim, Sedes ponere. A infâme conotação sexual do termo pode ludibriar alguma afetividade. Mas, de fato, estamos diante da mais vil faceta da posse. Sentar-se sobre é a forma mais animalesca de imobilizar algo. Sedes ponere é o desejo de evitar o crescimento, a jornada, a evolução. Ao sentarmo-nos sobre algo, nem nos dispomos a ver a coisa, ela não é digna de nossos olhos. Esperamos que o peso dos nossos corpos destruam a coisa por esmagamento, ou que a mera indignidade de ser usado como assento torne impossível a sua mudança de função. É o mero exercício de poder, no seu significado mais nefasto: poder destruir.


